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Vamos entrar um pouco no mundo das fraturas, um acontecimento súbito que preocupa muito, todos entendem um pouco de “quebraduras”, o vizinho, a tia, alguém por perto já teve uma fratura, utilizou um gesso ou mesmo fez uma cirurgia para isto. Pois é, isto é algo que acontece corriqueiramente, sendo um eterno campo de estudos da ortopedia. Neste post vamos tentar esclarecer um pouco sobre fraturas deste osso de nosso joelho, um osso sesamóide, que tem uma função primordial para o funcionamento adequado desta nobre articulação.

 A patela!

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Esta estrutura óssea é responsável pelo aumento de força e agilidade nos movimentos de flexo – extensão do joelho, funcionando como uma polia. Uma estrutura com pouca proteção, existindo apenas a pele e um pouco de gordura por cima, sendo muito susceptível a trauma, consequentemente a fraturas, principalmente em quedas e acidentes automobilísticos.

A fratura da patela pode ocorrer por trauma direto, sendo o mais comum nos atendimentos, porém pode ocorrer indiretamente, por um movimento que cause a contração excessiva da musculatura da coxa.

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Quais os sintomas? Como é feito o diagnóstico?

A pessoa com a fratura apresenta dor intensa na região anterior do joelho, muitas vezes apresentando hematoma local, sendo comum o paciente não conseguir estender o joelho e muito menos andar.

Após o atendimento inicial, a radiografia é o melhor exame a ser realizado. Com este conseguimos fechar o diagnóstico e na grande maioria das vezes definir o tratamento, porém em alguns casos utilizamos a Tomografia para compreender melhor a fratura.

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Quebrou??!!! E agora??

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Como sempre uma fratura pode ser tratada com e sem cirurgia. Isto é decidido por critérios técnicos, tais como o tipo de fratura e o quão deslocada esta se encontra. Então descreverei como são os dois tipos de tratamentos mais utilizados.

1) Tratamento conservador (sem cirurgia): utilizado nas fraturas sem desvio ou minimamente desviadas.

– Utilizamos um imobilizador em extensão por 4 a 6 semanas

– Libero a carga (pisar) conforme dor. Isto significa que se o paciente tiver pouca dor ao caminhar, isto está liberado. Porém a caminhada deve ser feita com o imobilizador.

– Iniciamos exercícios de contração isométrica da coxa para manter a musculatura ativa.

– Mantemos um acompanhamento com consultas e radiografias seriadas.

Após a consolidação óssea, inicia-se o ganho de mobilidade do joelho, seguida de ganho e controle da força muscular. Tudo isto com ajuda da fisioterapia.

Se bem indicada a chance de sucesso deste tratamento gira em torno de 95%.

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2) Tratamento cirúrgico

A grande maioria das fraturas de patela necessitam de cirurgia para a boa evolução, isto porque devido a grande força de tração que existe da musculatura sobre este osso, após fraturar-se esta tende a se separar, ou seja perde sua função de polia, por isso existe a necessidade de restabelecer sua anatomia com um procedimento cirúrgico.

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A técnica mais utilizada para isto se chama banda de tensão. Com esta técnica normalmente fazemos uma reabilitação mais rápida:

– Mantemos um imobilizador para que o paciente caminhe com mais segurança nas primeiras 4 semanas

– Iniciamos a movimentação do joelho desde os primeiros dias

– Incentivamos os exercícios de contração da musculatura da coxa

– Iniciamos fisioterapia após a quarta semana

Normalmente o paciente consegue caminhar sem muletas após 45 a 60 dias, com boa expectativa para a grande maioria dos casos.

Em alguns casos, nos quais a fratura é mais complexa pode ser necessário a retirada de parte ou de totalidade da patela, o que pode deixar o tratamento mais complicado.

Pode haver complicações?

Como toda fratura, sempre existem as possíveis complicações. Em qualquer tratamento pode ocorrer a não consolidação da fratura, complicação associada a alguns fatores de risco tal como tabagismo ou a idade mais avançada. Pode ocorrer também uma nova fratura no mesmo local, com um trauma muito menor, isto acontece normalmente nos primeiros 3 meses de tratamento.

Após o procedimento cirúrgico, utilizando banda de tensão, boa parte dos pacientes incomodam-se com o material metálico colocado na patela. Isto pode levar a uma nova cirurgia para a retirada deste material. Porém isto é uma escolha do paciente.

A longo prazo, uma fratura mais complicada pode evoluir com artrose (desgaste) na articulação da patela, isto é uma consequência relativamente comum a todas as fraturas articulares. Isto deve ser tratado individualmente.

Mas na balança final, uma fratura de patela, bem conduzida, leva a resultados muitos satisfatórios ao paciente e ao médico. Por isso sempre procure um especialista na área e para isto que estamos sempre a disposição.

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Dr Bernardo F Luz

Traumatologista Esportivo

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