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Um grande problema para as mulheres, sejam elas praticantes ou não de esportes. Corredoras, ciclistas, praticantes de crossfit ou de musculação, bailarinas, todas sujeitas a dor na região anterior do joelho, que em sua maioria tem o diagnóstico de dor patelo femoral. Com certeza várias já ouviram que estão com desgaste na patela, porém este é um problema mais complexo do que apenas uma palavra, do que o tratamento com apenas medicamentos. Para isto tentaremos explicar um pouco mais neste post.

 

A articulação patelo femoral

O joelho apresenta uma articulação na região anterior, formada pela junção da patela com a tróclea do fêmur. Esta funciona como um encaixe, na qual encontra-se em repouso quase total quando o joelho está estendido. A patela encaixa-se na tróclea quando iniciamos a flexão, logo aos 20-30º, sendo seu maior contato entre 60-90º. Sendo assim, é no intervalo de movimento entre 30 e 90º que a pressão exercida entre a patela e a tróclea se encontra melhor distribuída. Quando apresentamos algum dos fatores de desequilíbrio ou quando a sobrecarregamos,  a articulação pode sofrer e consequentemente apresentar dor, ou seja, devemos levantar na história o que há de errado e no que podemos intervir para melhorarmos os sintomas.

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Quais são os sintomas?

As mulheres são as principais afetadas, sendo comum desde a adolescência, não tendo idade para surgir, porém em pacientes acima dos 40 anos, já pode haver um desgaste, o que dificulta a boa evolução. Se apresenta com dor na região anterior do joelho, normalmente abaixo da patela. Apresentando piora ao subir ou descer escadas, em saltos, corridas, agachamento ou mesmo quando permanecemos sentados por um tempo prolongado, o que era muito chamado do “sinal do cinema”. Temos também a situação de deslocamento da patela, o que já foi apresentando neste site, porém que é outro problema e deve ser diferenciado pelo ortopedista.

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E o que é a condromalácia?

Devido a patela ter uma camada de cartilagem grande, maior do que qualquer outra articulação do corpo, e trabalhar sobre pressão, no exame de ressonância magnética esta camada pode se apresentar afinada, sendo chamada de condromalácia, porém isto faz parte de todo o processo de dor já citado e não modifica o tratamento.

O que pode desequilibrar esta articular?

O bom funcionamento desta articulação depende de vários fatores, os quais podem ser modificáveis ou não. Sendo que na maioria das vezes a pessoa com os sintomas, apresenta mais de um fator. Entre os fatores que podem influenciar o funcionamento se destacam:

  • formato da tróclea – que pode ser rasa
  • formato e altura da patela
  • angulação do membro – valgo ou varo
  • desequilíbrio muscular
  • atividades que sobrecarreguem a articulação – ex.: agachamento profundo, corrida.
  • instabilidade
  • encurtamento muscular
  • lesões na cartilagem

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Nas mulheres, na sua maioria, temos uma junção de fatores anatômicos que contribuem para tais sintomas. A mulher apresenta quadris mais largos e joelhos valgos, além de ser comum terem a tróclea rasa, sendo assim contribuindo para o desequilíbrio desta articulação.

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Como melhorar?

A ideia principal é tentarmos intervir nos fatores modificáveis, então devemos reequilibrar as forças musculares que atuam nesta articular e não sobrecarregarmos. Com isto o planejamento deve ser:

  • Ganho de massa muscular da coxa porém, evitar os agachamentos profundos, que os joelhos trabalham mais de 90º (cuidado na academia!)
  • Melhora da musculatura abdutora e adutora da coxa
  • Alongamento da região posterior do membro inferior
  • Alongamento da fascia lata
  • Exercícios com menos impacto – evitar a corrida durante o período de recuperação

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Em alguns casos, que não apresentam boa evolução ou que já tem lesão de cartilagem, pode-se optar pela infiltração articular, sendo utilizado atualmente a viscossuplementação, o que pode melhor a lubrificação articular e consequentemente melhorar a dor. Porém considero que o principal seja a melhora da força muscular o que requer muita paciência e tempo.

Estamos a disposição a eventuais dúvidas!!

Dr Bernardo F Luz

Especialista em artroscopia do joelho e traumatologia esportiva

1 Comentário

  • ANA MARIA DOS SANTOS

    Em 06/01/2017, sofri fratura bilateral patelar, era esportista, corria em média 10 KM, três vezes por semana, possível causa, segundo a equipe médica: estresse patelar. Fiz cirurgia em 10/01/2017, foi colocado parafusos, banda de tensão. Tive alta hospitalar após 30 h, com recomendação para dobrar os joelhos e fisioterapia após 20 dias. No retorno, para retirar os pontos, embora o cirurgião ficou satisfeito com a consolidação óssea, pouco consegui dobrar os joelhos. Iniciei as fisioterapias e com mais quinze dias em nova consulta já consegui dobra-los por cerca de 100º. A próxima consulta a meta estabelecida é de 120º. O processo de recuperação é bastante doloroso e requer muita força de vontade e muita fisioterapia. E ainda assim tenho muitas dúvidas da total recuperação .

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