Notícias

Provavelmente todos os atletas de atividades de endurance, principalmente os corredores, conhecem alguém ou pelo menos já ouviram falar da “canelite”. Ou seja, é algo comum entre as pessoas que praticam corrida de longa distância. Com certeza já ouviu muitas dicas, opiniões, inclusive mandingas para tentar curá-la. Para isso resolvemos escrever para ajudar quem passa ou passará por isso.

images

Primeiro, o que é isto?

O termo “canelite” não é muito técnico, seria uma inflamação na “canela”, nome popular dado a tíbia, como médico tendo a deixar ele de lado, pois acredito que este diagnóstico requer uma diferenciação entre os possíveis problemas que trazem a dor na região anterior da perna.

A ideia atual é que esta dor pode ser diferenciada entre dois problemas:

1)Estresse medial da tíbia – inflamação na região anterior da tíbia, causada por uma tensão excessiva da origem da musculatura tibial, sendo portanto uma tendinopatia, podendo estar associado a uma periostite (inflamação na parte externa do osso)

canelite300x180

2)Fratura por stress – falha no turnover ósseo (capacidade do próprio osso de se refazer, diariamente), devido ao excesso de impacto, causando uma falha progressiva, sendo causa de uma dor intensa e progressiva. Pode ser a evolução do estresse medial da tíbia.

image description
A. Fratura por stress na região anterior da tíbia. B. Destaque

Ou seja, no mesmo termo popular, é preciso diferenciar o que está acontecendo.

O que sente-se nestes problemas?

A principal queixa é dor, principalmente na região anterior ou medial da perna. Esta dor pode acontecer no início do treinamento, melhorando após algum tempo, sendo comum retornar no pós treino. Ou pode acontecer da dor piorar durante a corrida. Esta diferenciação é muito importante para sabermos orientar qual o problema e em qual estágio este se encontra. Muitas vezes esta dor ela pode ser progressiva, levando o atleta a inclusive parar de praticar o que tanto gosta.

7

Como faço para descobrir se tenho isto?

Os sintomas são muito importante para o diagnóstico, porém é importante procurar o auxílio de um traumatologista esportivo. Normalmente a radiografia é feita, comumente apresenta-se sem qualquer alteração, já que mesmo sendo uma fratura por stress, as alterações no exame demoram de 2 a 3 semanas para aparecerem. Por isso muitas vezes solicitamos uma Ressonância Magnética que é considerada o exame padrão-ouro para o diagnóstico e para estagiar uma possível fratura.

Figura-1
Fratura por stress visto na Ressonância Magnética.

Que coisa…. Por que acontece isso??

Existem vários fatores que levam a estas dores, porém comum aos dois diagnósticos diferenciais que aqui citamos o fator desencadeante comum é o “overuse”, ou seja o exagero. Abaixo a lista, em ordem de importância dos fatores de risco para este problema.

– Aumento excessivo da carga de treino – o correto é aumentar de 10-15 % a distância do treno por semana, acima disso pode causar mais problemas que benefícios

– Fraqueza na musculatura da perna

– Terreno muito duro – de preferência para terrenos de terra e grama

– Tênis inadequado ou desgastado – lembrando que um tênis dura em média 650-800 km

– Pisada hiperpronada ou hipersupinada

– Mulheres – síndrome da mulher atleta ( em breve um post sobre isso)

Ok, então vamos dizer que tenho essa fratura, vou usar gesso? Nunca mais vou correr?

Primeiramente, temos que diferenciar o que está acontecendo. Você possui uma inflamação ou já apresenta fratura?

No estresse medial da tíbia o tratamento é sintomático (medicamentos e gelo), associado a um programa de reabilitação com alongamento da musculatura da perna e ganho de força muscular, ou seja vale lembrar que a musculação traz muitos benefícios a quem gosta de praticar corrida de rua. Os treinos devem ser dosados, fazendo um aumento progressivo. Se a dor for intensa o melhor a se fazer é parar os treinos por um tempo, retornando progressivamente.

Porém se apresentar uma fratura por stress o problema já se torna um pouco mais complexo, mas nada de gesso ou imobilização prolongada. Inicialmente parar as atividades de corrida é essencial, precisamos deixar o corpo se recuperar. Se a dor já se for intensa, pode ser necessário a retirada da carga do membro, com o uso de muletas. Alguns casos, existe a necessidade de tratamento cirúrgico, que deve ser decidido em conjunto com o traumatologista esportivo. O afastamento dos treinos pode durar apenas 2 semanas ou pode chegar a até 6 meses, variando de caso a caso.

Mas…. Apesar de estarmos diante de um dos piores problemas dos atletas de endurance, com certeza a expectativa é voltar a correr, com os mesmos objetivos de antes…

O mais importante nestes casos: dose seus treinos, não exagere. O seu objetivo final passa por fazer bem-feito o início e o meio…. Ninguém chegará aos 42 km sem antes fazer os 10 ou 21 km. Se tiver dor…. Procure um especialista…. Não deixe para depois, pois isto pode atrasar muito o seu objetivo.

Dr Bernardo Luz

Deixe uma resposta